Futebol

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Um capítulo especial da história do Paula Ramos vai ficar guardado para sempre na história do esporte de Santa Catarina. As conquistas do time de futebol, que teve seu auge entre as décadas de 1940 e 1960, são lembradas com saudades por pessoas que viveram aquela época.

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Até 1943, o Paula Ramos participou apenas de competições amadoras. Em 1944, entrou na fase do profissionalismo, formando um time que, em 1947 e 1948, se tornaria bicampeão de Florianópolis e, em 1948, seria vice-campeão estadual.

Um fato curioso marcou a final de 1948: a decisão do campeonato foi realizada às 7h da manhã de uma segunda-feira. “O jogo do domingo foi interrompido por uma forte chuva e, como o árbitro Mario Vianna tinha que viajar na segunda feira, marcou o jogo para as 7h da manhã”, lembra o jornalista Roberto Alves.

No início da década de 1950, o clube passou a investir em divisões de base. Conquistou o campeonato estadual de aspirantes em 1950 e, seis anos depois, venceu os campeonatos municipais nas categorias juvenil, aspirante e profissional.

A maior conquista do time foi a vitória no campeonato estadual de futebol em 1959. A campanha histórica do Paula Ramos naquele ano ficou marcada na memória de jogadores, dirigentes e torcedores. Foram 33 jogos, 20 vitórias, 4 derrotas, 9 empates, 74 gols marcados e 35 recebidos. O jogo da grande final, que aconteceu no estádio Adolfo Konder, em Florianópolis, conhecido como Campo da Liga, foi contra a equipe Carlos Renaux, de Brusque. No dia da grande conquista, o placar foi 2 x 0.

Valério de Matos, que foi capitão do time, lembra do empenho dos jogadores. “Todos tinham muita disposição, raça e disciplina. Aquilo era a vida da gente, o importante era ganhar”, conta. Nessa época, não havia tanto profissionalismo no futebol e os jogadores tinham que conciliar os treinos com o trabalho. “Não havia tanta assistência, tanto preparo como se tem hoje. Treinávamos uma ou duas vezes por semana”, lembra.

Humberto Carioni conta que, apesar do pouco profissionalismo, os jogadores demonstravam lealdade ao clube. “No início, os atletas jogavam de graça. Depois, ganhavam pouco para jogar. Eles tinham muito amor pela camisa que vestiam”, lembra. Na época, alguns atletas trabalharam na loja de peças para automóveis da família Carioni.

Para Roberto Alves, as conquistas do time eram resultado da dedicação e da qualidade do grupo, além do trabalho da diretoria. “O avaiano tinha no Paula Ramos seu segundo time e os torcedores do Figueirense também. Era um time excepcional”, destaca.

Com o prestígio obtido após o campeonato de 1959, os jogadores acabaram se transferindo para outros clubes. Ainda assim, o Paula Ramos conquistou o campeonato da cidade em 1961, 1962 e 1964. Mas o tempo passou e manter o time dentro das competições acabou se tornando inviável.

Em 1969, o Paula Ramos abandonou o futebol, mas a marca na história do esporte catarinense permanece. “O time acabou, mas a imagem, a crônica ficou, está na memória das pessoas. Quem assistia aos jogos do Paula Ramos quando era criança ainda se lembra da gente. Tínhamos uma torcida grande. Até hoje somos reverenciados”, orgulha-se Valério, que entrou no time em 1947, aos 16 anos, e ficou até 1962.

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Campeões de 59

Carlos Gainete Filho, Leibnitz Juliano de Campos Cabral, Valério José de Matos, Wilmar Pinto de Lemos, Zilton Altino Vieira, Lelis da Silva, Manoel Roselindo Silva, Élio Marcos Ramos, Hailton Matias Kafeltz, Oscar Rego, Jonilo Gonçalo Zacchi, Aroldo de Souza Limas, João Assunção Martins, Oniluar Rosa, Jaci Destri, Hédio Nilson Ramos, Lauri Anselmo Moreira, Nilson Augusto Dutra, Lourival Botelho, Ailton de Souza, Neri Paulo da Rosa, Eli Venseslau Ramos, Wilson José Vieira e Humberto Fenner Lyra.